quarta-feira, 20 de março de 2013


Retorno
Meu ser em mim palpita como fora
do chumbo da atmosfera constritora.
Meu ser palpita em mim tal qual se fora
a mesma hora de abril, tornada agora

Que face antiga já se não descora
lendo a efígie do corvo na da aurora?
Que aura mansa e feliz dança e redoura
meu existir, de morte imorredoura?

Sou eu nos meus vinte anos de lavoura
de sucos agressivos, que elabora
uma alquimia severa, a cada hora.

Sou eu ardendo em mim, sou eu embora
não me conheça mais na minha flora
que, fauna, me devora quanto é pura.

ANDRADE, Carlos Drumond de. José: fazendeiro do ar: novos poemas. Rio de Janeiro: Record, 1993. P. 40.  

sexta-feira, 15 de março de 2013

Poema de Carlos Drumond de Andrade


Jardim
Negro jardim onde violas soam
e o mal da vida em ecos se dispersa:
à toa uma canção envolve os ramos,
como a estátua indecisa se reflete

no lago há longos anos habitado
por peixes, não, matéria putrescível,
mas por pálidas contas de colares
que alguém vai desatando, olhos vazados

e mãos oferecidas e mecânicas,
de um vegetal segredo enfeitiçadas,
enquanto outras visões se delineiam

e logo se enovelam: mascara,
que sei de sua essência (ou não a tem),
jardim apenas, pétalas, presságio.

ANDRADE, Carlos Drumond de. Jose: fazendeiro do ar: novos poemas. Rio de Janeiro: Record, 1993. P. 21


terça-feira, 12 de março de 2013

Poemas de Carlos Drumond de Andrade

                                                   Canção Amiga

Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me veem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem ama ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

ANDRADE, Carlos Drumond de. Jose: fazendeiro do ar: novos poemas. Rio de Janeiro: Record, 1993. p. 9.

segunda-feira, 11 de março de 2013

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sábado, 18 de agosto de 2012

Conferência

O grupo PET/ Letras esteve presente na conferência UM OLHAR ESTRANGEIRO SOBRE O MODERNISMO NA LITERATURA BRASILEIRA do prof. Antoine Chareyre na UNICENTRO



























segunda-feira, 2 de julho de 2012

HORA DO CONTO (Colégio Lobo)

Com muita alegria o Grupo PET/Letras reapresentou a oficina A HORA DO CONTO, dessa vez no Colégio Lobo no dia 22 de junho de 2012.







segunda-feira, 25 de junho de 2012

HORA DO CONTO (escola Municipal Carolina Franco)

O GRUPO PET/LETRAS realizou a oficina HORA DO CONTO, dia 05 de junho de 2012 na Escola Municipal Carolina Franco.